EAV Parque Lage NEWS
  • 75
  • |
  • |
  • |
  • |
  • 80
  • |
  • |
  • |
  • |
  • 85
  • |
  • |
  • |
  • |
  • 90
  • |
  • |
  • |
  • |
  • 95
  • |
  • |
  • |
  • |
  • 00
  • |
  • |
  • |
  • |
  • 05
  • |
  • |
  • |
  • |
  • 10
  • |
  • |
  • |
  • |
  • 15
A viabilidade da Escola de Artes Visuais está em sua capacidade de considerar cada aluno um pensador individual, portanto, um propositor, um descobridor do que é arte. O projeto da Escola será reformulável a cada semestre, absorvendo a experiência obtida com alunos e professores, incorporando o desenvolvimento da experimentação de cada um.

Rubens Gerchman (1942, Rio de Janeiro – 2008, São Paulo)

Sua formação passa pelo Liceu de Artes e Ofícios (1957) e a Escola de Belas-Artes do Rio de Janeiro (1962).

Participa do grupo de artistas da histórica exposição “Opinião 65”, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro junto com os artistas Hélio Oiticica (1937–1980), Carlos Vergara (1941), Antonio Dias (1944) entre outros. Dois anos depois, em 1967, é contemplado com o Prêmio de Viagem ao Exterior no 16º Salão Nacional de Arte Moderna (Snam) e viaja para os Estados Unidos, onde reside em Nova York entre 1968 e 1972. Nesse período, torna-se membro fundador do Museu Imaginário Latino-Americano em Nova York. Retorna ao Brasil e faz o roteiro, a cenografia e a direção do filme Triunfo hermético e os curtas ValCarnal e Behind the broken glass.

Em 1974, foi o cofundador e diretor da Revista Malasartes junto com os artistas Luiz Paulo Baravelli (1942), José Resende (1945), Carlos Vergara, Carlos Zilio (1944), Ronaldo Brito (1949), Waltercio Caldas (1946), Cildo Meireles (1948), além dos poetas Bernardo Vilhena (1949), Chacal (1951) e Ronaldo Bastos (1948).

Em 1975, assume a direção da Escola de Artes Visuais do Parque Lage na qual permanece até 1979. Rubens Gerchman foi artista de relevância para a história da arte brasileira, fazendo parte do grupo de artistas experimentais surgidos nos anos 1960.

A inauguração da Escola de Artes Visuais – EAV, em 1975, foi marcada pelo afrouxamento da repressão política ocasionada por Ernesto Geisel (1907–1996) na Presidência da República. Nesse mesmo momento acontecia a fusão entre o Estado da Guanabara e o Estado do Rio de Janeiro que passa a ser governado por Floriano Peixoto Faria Lima (1917–2011).

A nomeação de Paulo Afonso Grisolli (1934–2004), reconhecido como diretor teatral, como chefe do Departamento de Cultura do Estado do Rio de Janeiro e por sua filosofia de esquerda, propõe a reformulação das instituições vinculadas a esse órgão. Uma das ações promovidas nesse sentido é a criação do Instituto Estadual das Escolas de Arte (Ineart), visando à integração entre as práticas artísticas, composto pelas Escolas de Teatro Afonso Penna, de Música Villa-Lobos, de Dança, do Centro de Arte e Criatividade Infanto-Juvenil e pela EAV. Grisolli realiza também como parte do seu pensamento democrático um mapeamento das expressões de cultura popular e de folclore em todo o território do Rio de Janeiro.

Os novos rumos traçados para a Escola foram elaborados por Grisolli e Rubens Gerchman (1942–2008) que, juntos, implementaram a EAV e mantiveram certa estrutura do Instituto de Belas-Artes (IBA) que permanece no Parque Lage até 1978. É curioso e misterioso o processo que envolve a saída, desmantelamento ou mesmo a fusão do IBA em EAV. A abordagem do IBA era voltada para o aprendizado de técnicas artísticas mais tradicionais, apresentando um conteúdo formal.

Vale a pena ressaltar que a estrutura pensada por Gerchman traz uma vertente contemporânea já expressa em sue nome, ao usar o termo “artes visuais”, ampliando a compreensão do campo artístico, oferecendo novas linguagens a serem estudadas e discutidas, como: fotografia, cinema, artes do corpo, entre outros. Nelson Augusto (assistente de Rubens Gerchman) comenta em entrevista concedida ao projeto Memória Lage que o nome Escola de Artes Visuais vem de uma influência da School of Visual Arts de Nova York, provavelmente fruto da experiência internacional de Gerchman. Baseada na vanguarda do experimentalismo e liberdade, a escola foi fundada e essas características permanecem em toda a sua trajetória, constituindo sua identidade e seu legado.

Em setembro de 1975 é lançado o primeiro número da revista Malasartes, tendo, como já mencionado, Gerchman como um dos fundadores. A publicação foi criada com o propósito de divulgar e discutir a produção de vanguarda brasileira e internacional, com ênfase na arte conceitual, que era o que mais se produzia no Brasil naquele momento.

Em dezembro do mesmo ano, é criada a Fundação Nacional de Arte (Funarte), instituída pela lei n° 63.012 e regulamentada pelo decreto n° 77.300, com a finalidade de promover, apoiar e estimular as artes no Brasil. Nesse mesmo mês, o Museu de Arte Moderna (MAM/RJ) abre a Sala Experimental, vista como um espaço móvel e destinada a trabalhos de vanguarda.

Em março de 1976, ocorre no MAM-RJ a primeira edição de Arte Agora I, fazendo um balanço da arte nacional de 1970 a 1975, a mostra teve curadoria de Roberto Pontual e sofreu um boicote promovido por alguns artistas convidados que se recusaram a participar e explicitaram publicamente a indignação com o evento e sua finalidade que para eles era negativa, principalmente para os artistas ditos experimentais. Arte Agora I foi apresentada com 75 dos 100 artistas convidados. A escolha dos artistas de Arte Agora I é feita por uma comissão de cinco integrantes, através de visitas a diferentes regiões do Brasil ou por meio de dossiês enviados pelos próprios artistas. A exposição teve mais duas edições em 1977 e 1978, cada uma apresentando uma nova forma de pensar a curadoria.

Morre em 26 de outubro Di Cavalcanti, aos 79 anos. O enterro do pintor foi filmado por Glauber Rocha com o propósito de fazer um filme para homenagear o amigo. Di-Glauber (nome oficial Ninguém assistiu ao formidável enterro de sua quimera, somente a ingratidão, essa pantera, foi sua companheira inseparável) foi transmitido pela primeira vez na cinemateca do MAM-RJ em 11 de março de 1977. Depois de saber da exibição, a família do pintor entrou com uma ação para que o curta fosse censurado; antes da proibição judicial, Glauber foi premiado no Festival de Cannes.

Em março de 1978, mais precisamente na madrugada de 8 de julho, um possível curto-circuito provocou um incêndio que destruiu 90% do acervo de quase mil obras do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. As chamas atingiram todas as instalações do bloco de exposições, além da administração e da diretoria. Entre o que foi queimado estavam obras de Jackson Pollock, Max Bill, Paul Klee, Picasso, Dali, René Magritte, Max Ernest, Matisse, além das de outros importantes artistas. O incêndio repercutiu nacional e internacionalmente, provocando uma comoção entre os pensadores, artistas e o público em geral. Em 16 de julho foi realizada uma passeata em apoio à reconstrução do museu. A EAV que sempre teve estreita ligação com o MAM/RJ seja através dos professores que muitas vezes lecionavam nas duas instituições, seja pela relação experimental que os dois lugares propunham, incitou os alunos a participarem das atividades em favor do MAM/RJ.

Ainda em 1978, o Salão Nacional de Belas-Artes e o Salão de Arte Moderna são fundidos com o nome Salão Nacional de Artes Plásticas, concedendo prêmios de viagem ao exterior.

Em novembro do mesmo ano, a galeria Candido Mendes é inaugurada dirigida pela escritora Maria de Lourdes Mendes de Almeida.

No Rio de Janeiro, para a formação múltipla desses artistas havia ateliês como os de Ivan Serpa, no Bloco Escola do Museu de Arte Moderna, que criavam alternativas ao ensino acadêmico da Escola Nacional de Belas-Artes e do Instituto de Belas-Artes.

Rubens Gerchman foi o primeiro diretor da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, atuando entre o período de 1975 a 1979. Sua gestão caracteriza-se pela implantação de uma filosofia de ensino experimental que propunha um pensamento antropológico, coletivo, democrático e libertário com cursos e eventos que transitavam desde a cultura popular (Capoeira Angola) às vanguardas europeias (Oficinas Espetáculos de Hélio Eichbauer).

O grupo de professores que integraram a escola nesse primeiro momento era constituído por artistas e pensadores atuantes no meio das artes e cultura da cidade. Parte desses professores lecionava também no Bloco Escola do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e outros vieram da experiência de ensino de Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro, na Universidade de Brasília (UnB).

Segundo Gerchman, a EAV foi concebida como uma estrutura aberta, interdisciplinar e integrada numa realidade cultural que visa ampliar os limites estabelecidos da criação e pensamento artístico fornecendo aos alunos os meios a uma nova (e própria) forma de pensar e fazer.

A nova estrutura da Escola dividia-se em duas grandes áreas, a saber:

  • Centro de Documentação

“Produz, acumula e atualiza informações em geral e sobre artes visuais em particular”. Esse centro contemplava acervos bibliográficos e de audiovisual. Era responsável também pela organização de cursos livres e teóricos.

  • Centro Experimental de Arte

Dedicava-se ao ensino e aos eventos e tinha como premissa o desenvolvimento do fazer. Estavam vinculados a ele os cursos: Básico; Oficinas; Área de Lazer; Área 3D; Área 2D; Área Teórica; Área Cênica; Área de Apoio. Segundo a revista GAM: “Os eventos emergiam do funcionamento da Escola, cursos e oficinas, resultantes de um trabalho de equipe de professores e alunos”.

Crianças

Localizamos em um documento de 1979 a programação dos Cursos de Verão, na qual aparecem mencionados os cursos oferecidos a crianças e jovens. Não podemos esclarecer a estrutura da metodologia da EAV para este segmento neste período. Os cursos oferecidos foram: Brincando no Parque, A Criança e sua Expressão Criativa; Cinema para Crianças (Caixinha de Cinema); Fotografia (Buraco de Alfinete); Xilografia para Adolescentes; Desenvolvimento da Sensibilidade Através da Prática Artística; Imprimindo e Descobrindo. Isso nos mostra um interesse em apresentar a arte contemporânea e desenvolver a formação de um público.

Foram professores no período:

Alcídio Mafra de Souza, Alexandre Trik, Amarilis Chaves, Antônio Carlos Cantuária, Antônio Carlos de Brito, Antônio Gomes Penna, Antônio Grosso, Astrea El-Jaick, Augusto Duarte de Castro Seabra, Avatar Moraes, Aydil Cumplido, Ayres Augusto Pereira, Carlos Henrique Escobar, Celeida Tostes, Celso Guimarães, Ciro Barroso, Cláudio Kuperman, Darcy Bove de Azevedo, Denise Azevedo, Dionísio Del Santo, Edgar Walter Simmons, Eduardo Sued, Elmer Barbosa, Emanuel Brasil, Ernesto Lacerda, Esther Iracema Neugroschel, Frederico Morais, Gastão Manuel Henrique, Gianguido Bonfanti, Gioconda Cavalieri, Helenita, Hélio Eichbauer, Ilse Irmgard Hastreiter, Isabel Pons, Isabella Sá Pereira, Ivonne Bastos, Jaime Sampaio, João Vicente Salgueiro, José Arthur Salleiro Lemos, José Chlau Deveza, Júlia Elisabeth Levy, Lamartine Oberg, Lélia Gonzalez, Lícia Lacerda, Lina Bo Bardi, Luiz Augusto de Leão Castello, Luiz Carlos Ripper, Luiz Fernando Borges da Fonseca, Luiz Gleiser, Luiz Nelson Ganen, Lygia Pape, Macalé dos Santos, Magno Machado Dias, Marcos Flaksman, Maria Carmen Albernaz, Maria de Lourdes Mader Pereira, Marly Bastos Guimarães, Mestre Moraes, Miguel Antônio Pastor, Miriam Terezinha, Orlando Brito, Orlando Mollica, Paulo Camargo, Paulo Pinheiro Alves, Reinaldo Leitão, Roberto da Matta, Roberto Magalhães, Roberto Maia, Rosa Magalhães, Rubens Gerchman, Sandro Donatello Teixeira, Sérgio Lima, Sérgio Santeiro, Sílvia Cristina, Sônia Corrêa, Sônia de Mello e Silva, Sônia Maria Farriá Machado, Stella Bastos, Susan L’Engle, Túlio Mariante e Vera Terra.