EAV Parque Lage NEWS
  • 75
  • |
  • |
  • |
  • |
  • 80
  • |
  • |
  • |
  • |
  • 85
  • |
  • |
  • |
  • |
  • 90
  • |
  • |
  • |
  • |
  • 95
  • |
  • |
  • |
  • |
  • 00
  • |
  • |
  • |
  • |
  • 05
  • |
  • |
  • |
  • |
  • 10
  • |
  • |
  • |
  • |
  • 15

Devido ao grande escopo do projeto – a organização dos 40 anos da Escola de Artes Visuais (1975-2014) – e tendo em vista o curto prazo de execução (12 meses), as equipes tiveram de sobrepor etapas ou mesmo mudar de estratégias ao longo do tempo, alterando de forma substancial os critérios no decorrer do projeto. Portanto, apresentaremos neste texto algumas premissas idealizadas pelas áreas na tentativa de facilitar a compreensão do público quanto aos conceitos que envolveram o projeto Memória Lage.

Metodologia da Pesquisa

O Núcleo de Pesquisa do projeto Memória Lage – A Formação de Um Acervo, composto pelas pesquisadoras Juliana Rego e Thábata Castro, atuou junto com os coordenadores na orientação e no suporte de todas as etapas e dos processos de execução do projeto. Este núcleo também ficou responsável por criar o conceito para a organização do acervo. Outra tarefa da pesquisa foi a seleção de documentos que foram digitalizados. Exerceu também a mediação entre todas as equipes de forma sinérgica com os coordenadores do projeto. Além dessas atribuições, as pesquisadoras realizaram a produção textual e conceberam a curadoria das imagens e de conteúdo agora disponibilizados neste site.
É importante ressaltar que a equipe do projeto não teve em seu quadro de funcionários nenhum arquivista e que todo o conceito utilizado para a organização do acervo leva em consideração o pensamento do pesquisador e da museologia.

Antes dispersos na instituição, todos os documentos foram transferidos para a biblioteca, local onde foi executado o projeto. O Núcleo de Pesquisa iniciou suas atividades em abril de 2014 e não havia anteriormente nenhuma orientação de organização do material encontrado. Exceto alguns documentos que estavam identificados como I Bienal de Esculturas ao Ar Livre – Bienal do Rio e haviam sido organizados em 2008 por alunos da Uerj, decidimos incorporá-los a essa nova organização. Além da documentação, foram localizados 37 protótipos de obras referentes ao projeto; alguns tiveram a autoria identificada através do processo de pesquisa.

Durante a realização do projeto fizemos visitas técnicas ao Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da FGV-Rio, e à Fundação Casa de Rui Barbosa, com a finalidade de entender e definir qual política seria adotada pelo Acervo Memória Lage. Diante disso estabelecemos que o acervo só manteria um exemplar de cada documento (qualquer que fosse a tipologia documental).

A primeira etapa de trabalho consistiu na realização do levantamento do arquivo da EAV, que estava em péssima condição de acondicionamento. Nesse momento foram retirados todos os clipes e grampos que prejudicavam a conservação dos documentos. Acondicionamos de forma ainda provisória e apenas estabilizamos questões de conservação, posto que a Núcleo de Museologia ficou responsável pela elaboração de todos os critérios de higienização, conservação, catalogação e acondicionamento.

Durante a segunda etapa, criamos uma linha do tempo que norteou a estratégia de ação. Nesse processo encontramos documentos que comprovaram a existência de mais um diretor na história da escola além dos 13 conhecidos. Identificamos o funcionário Nelson Augusto como o terceiro gestor (junho a outubro de 1983), atuando entre as direções de Rubem Breitman e Marcus Lontra. Atribui-se a ele a guarda da documentação que ora denomina-se Memória Lage, prestamos aqui esta singela homenagem.

A identificação dos diretores direcionou a nossa atenção para a construção do Quadro de Arranjo que levou em conta o funcionamento da escola e suas áreas de atuação e produção. A partir dessa ferramenta reorganizamos a documentação do arquivo em Fundos (diretores). Cada Fundo se subdividiu em Séries: Gestão, Ensino, Exposição e Eventos; que se desmembraram ainda em Subséries nas quais tentamos esclarecer: planejamento estratégico, administrativo (Gestão); núcleo de ensino (Ensino); locais das exposições (Exposição); dança, teatro, palestra, música, festa, desfile, lançamento de livro e cinema (Eventos). Esse arranjo orientou a classificação da catalogação e do inventário idealizado pelo Núcleo de Museologia.

Elaboramos um primeiro levantamento de todos os cursos, exposições, eventos e as principais mudanças de perspectiva idealizadas pelos diretores. Como difusão desse mapeamento, desenvolvemos o conteúdo para o site, a partir dos tópicos: Biografia do Diretor, Contexto Histórico, No Circuito da Arte, Características da Gestão, Ensino, Principais Exposições e Eventos.

O conteúdo tratado tem como função apresentar uma visão panorâmica do acervo Memória Lage. A partir da atuação de cada diretor, entendemos que seria importante elaborar um texto distribuído em tópicos: Biografia do Diretor, Contexto Histórico, No Circuito da Arte, Características da Gestão e Ensino. Esse conteúdo foi concebido a partir da pesquisa em sites, livros e entrevistas. Para os tópicos Principais Exposições e Eventos foram selecionados até três projetos, tendo em vista o material do arquivo, ou seja, os critérios escolhidos foram baseados na relevância do projeto e/ou na quantidade de documentação existente referente a um determinado assunto. Porém em alguns casos não houve material suficiente para a elaboração.

É importante frisar que o acervo documental da EAV apresenta uma grande lacuna, ou seja, a documentação não tem um padrão de guarda, ficando ao longo da história gestões com muitos documentos e outras praticamente sem nenhum registro, portanto haverá ausência. Provavelmente novas pesquisas podem se somar e mesmo esclarecer determinados pontos que não foram encontrados no projeto.

Como uma tentativa de sanar dúvidas recorrentes durante a pesquisa e por iniciativa da coordenação do projeto foram consultadas personalidades que tem uma trajetória ligada à Escola de Artes Visuais. Os acervos particulares consultados apresentaram uma documentação muito relevante para o entendimento maior da pesquisa e, por isso, parte desse material foi digitalizada pelo Projeto Memória Lage. Dado o limitado prazo de execução do projeto e o orçamento proposto, esta ação não foi intensificada. Vale a pena ressaltar que a pesquisa dedicou-se principalmente aos documentos do Acervo Memória Lage.

Tendo como perspectiva a história oral, o Núcleo de Pesquisa, junto com a coordenação, promoveu uma série de entrevistas com os ex-diretores, coordenadores de núcleos e outras pessoas ligadas à história da instituição. As entrevistas foram idealizadas, na certeza de que a memória oral é parte fundamental para a construção da identidade institucional; para esse programa contamos com os profissionais do Núcleo de Arte e Tecnologia para a filmagem e edição dos vídeos.

Este projeto é apenas a ponta de um grande iceberg, acreditamos na incorporação desta iniciativa à rotina da instituição e com uma equipe própria que possa gerir, atualizar e sanar as perguntas que não foram respondidas no Memória Lage – a formação de um Acervo. Esperançosas de que esses pensamentos venham contribuir para construção de novas narrativas.

 

Metodologia da Museologia

O Núcleo de Museologia iniciou as atividades no projeto Memória Lage, em abril de 2014, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage.

O acervo composto por documentos e obras foi encontrado em caixas de plástico, polionda e papelão, sem qualquer organização. O material estava guardado em estantes de madeira e de metal oxidado, no espaço da biblioteca da escola. De uma maneira geral, o acervo apresentava estado de conservação regular, no entanto, alguns documentos em estado mais crítico apresentavam diversas características de deterioração como manchas de umidade, focos de fungos, sujidades, vincos, clipes e grampos de metal oxidados. Depois de uma primeira organização do acervo com a criação de fundos divididos entre os 14 gestores da EAV pela equipe de pesquisa, deu-se início à triagem e à retirada de grampos e clipes oxidados, redimensionando quantitativa e qualitativamente o acervo.

Foram definidas duas categorias para a classificação do acervo: documental – documentos em suporte de papel; e museológica – protótipos e obras de arte. Em seguida, foram elaboradas duas fichas catalográficas: uma que abarcaria todos os documentos textuais, iconográficos, bibliográficos e cartográficos, exceto aqueles considerados obras, e a ficha de obra destinada ao acervo museológico (esse acervo não foi catalogado, pois seu tratamento não estava enquadrado no projeto). Foi usada como referência a Norma Brasileira de Descrição Arquivística (Nobrade) a fim de aproximar o tratamento dado ao acervo da Escola de Artes Visuais ao de outras instituições de memória, possibilitando futuras trocas de informações. Outras fontes de pesquisa utilizadas foram: Manual de Catalogação do Museu da República, Caderno de Preservação Fotográfica (Funarte) e fichas catalográficas utilizadas em outras coleções correlatas (Museu da República, MIS RJ, MAC Niterói, Sisgam).

O processo de tratamento dos documentos foi iniciado com a catalogação em fichas físicas (posteriormente inseridas em plataforma digital). A etapa seguinte consistiu na higienização mecânica e acondicionamento em folders de papel alcalino, jaquetas de mylar e caixas de polionda sem pigmento, guardados em mobiliário de aço galvanizado com pintura eletroestática (armários, mapotecas e arquivos). O material foi escolhido com o objetivo de estabilizar o acervo, retardando o processo de deterioração dos documentos para prolongar sua vida útil.

Por meio dos processos de conservação preventiva utilizados pelo Núcleo de Museologia, o acervo da EAV – da gestão de Rubens Gerchman até a gestão de Luiz Alphonsus – encontra-se tecnicamente catalogado e acondicionado, além disso, a equipe elaborou ao longo do projeto o Manual de Catalogação para orientar futuros trabalhos. O projeto abre uma série de possibilidades e estudos sobre a história e a trajetória da Escola de Artes Visuais do Parque Lage.

 

BIBLIOGRAFIA

ALMEIDA, Armando; ALBERNAZ, Maria Beatriz; SIQUEIRA, Mauricio [org]. Cultura pela palavra: Coletânea de artigos, discursos e entrevistas dos ministros da Cultura 2003-2010/Gilberto Gil & Juca Ferreira.Rio de Janeiro: Versal. 1ª Ed. 2013.

ANDRADE, Luis[ET. All]. Love´s House: 13 artistas em curta temporada. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2002.

BASUALDO, Carlos [Org.]. Tropicália: Uma revolução na cultura brasileira [1967-1972]. São Paulo: Cosac Naify, 2007.

BERGSON, Henri. Introdução à metafísica. In: Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1979.

BR 80 Pintura Brasil Década de 80. São Paulo: Instituto Itaú Cultural, 1992.

CALABRE, Lia. “Políticas culturais no Brasil: dos anos 1930 ao século XXI”. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2009.

CANONGIA, Ligia. Anos 80 – Embates de uma geração. Rio de Janeiro: Barléu Edições, 2010.

COSTA, Macus de Lontra. Onde está você, Geração 80?. Rio de Janeiro: CCBB, 2004.

COSTA, Marcus Lontra. “A festa acabou? A festa continua? In: FERREIRA, Glória [org.]. Crítica de Arte no Brasil: Temáticas Contemporâneas. Rio de Janeiro: Funarte, 2006. P.351

EICHBAUER, Hélio; Hollanda, Heloisa Buarque de. 1975 -1979 O Jardim da Oposição. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2009.

Enciclopédia Itaú Cultural

FARIAS, Agnaldo. Anos 80/90 – Um retrato em 3×4 a cores. In: 80/90 –Modernismo Pós-Modernismo etc. São Paulo: Instituto Tomie Ohtake, 2009.

FATORELLI, Joana. QUEIROZ, Tânia [org.]. Cadernos EAV 2009: Encontros com artistas. Rio de Janeiro: Escola de Artes Visuais do Parque Lage, 2012.

FATORELLI, Joana. QUEIROZ, Tânia [org.]. Cadernos EAV 2010: Encontros com artistas. Rio de Janeiro: Escola de Artes Visuais do Parque Lage, 2012.

FERREIRA, Glória [org.]. Crítica de Arte no Brasil: Temáticas Contemporâneas. Rio de Janeiro: Funarte, 2006.

FIORAVANTE, Celso. “O Marchand, o artista e o mercado”. in: Arco das Rosas o Marchand como Curador. São Paulo: Casa das Rosas, 2001. P. 23

LABRA, Daniela [Org.] Performance Presente e Futuro. Rio de Janeiro: Contracapa Livraria/Automatica, 2008.

MORAIS, Frederico. “Cronologia das artes plásticas no Rio de Janeiro, 1816-1994. Rio de janeiro : Top-Books, 1995.

NORA, Pierre. Entre mémoire et histoire:  la problématique des lieux. IN Pierre Nora (org). Les lieux de mémoire. Paris: Gallimard, [1984]. Vol 1 La République. p. XXIV. Apud NEVES, Margarida de Souza. Disponível em: http://www.historiaecultura.pro.br/cienciaepreconceito/lugaresdememoria.htm. Acesso em 12/11/2013.

NUNES, Kamilla. Espaços Autônomos de Arte Contemporânea. Rio de Janeiro: Editora Circuito, 2013.

QUEIROZ, Tânia; ROCHA, Vanessa [org.]. Cadernos EAV 2011: Encontros com artistas. Rio de Janeiro: Escola de Artes Visuais do Parque Lage, 2014.

QUEIROZ, Tânia; ROCHA, Vanessa [org.]. Cadernos EAV 2012: Encontros com artistas. Rio de Janeiro: Escola de Artes Visuais do Parque Lage, 2014.

RIVITTI, Thais [ET. All]. Espaços Independentes. São Paulo: Edições 397, 2010.

SCOVINO, Felipe, REZENDE, Renato. Coleção Circuito Coletivos. Rio de Janeiro: Editora Circuito, 2010.