EAV Parque Lage NEWS
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A Escola de Artes Visuais do Parque Lage é uma escola ímpar. Surgiu sem seguir, estritamente, nenhum outro modelo de ensino. Formou-se com o empenho livre e libertário de artistas de distintos interesses. Resistiu às pressões políticas da ditadura militar. Sobreviveu a modelos distintos de administração. Formulou-se, congregando professores que, muitas vezes, jamais tiveram experiências acadêmicas. O termo “acadêmico”, aliás, se aplicava pouco às primeiras iniciativas capitaneadas por Rubens Gerchman, seu primeiro gestor (1975-1979). Deve-se destacar que a EAV se dedicou a combater o termo “acadêmico”.

Memória Lage

Marcelo Campos*

A Escola de Artes Visuais do Parque Lage é uma escola ímpar. Pautada antes por ideias artísticas que por padrões de ensino formal – a EAV jamais teve vínculos com o Ministério da Educação –, implantou novos paradigmas de transmissão.

Foi criada sem seguir, estritamente, nenhum outro modelo de ensino. Dedicou-se ao pensamento livre e libertário de artistas de interesses múltiplos. Resistiu às pressões políticas da ditadura militar. Sobreviveu a ameaças de especulação imobiliária. Congregou professores que, muitas vezes, jamais haviam tido experiências acadêmicas. O termo “acadêmico”, aliás, não se aplica às primeiras iniciativas capitaneadas por Rubens Gerchman, seu fundador e primeiro diretor (1975-1979).

Com o Memória Lage, projeto de digitalização e sistematização dos documentos que contam a história desta instituição de ensino da arte que agora comemora 40 anos de existência, os interessados poderão elaborar diversas pesquisas a partir de um vasto material, finalmente acondicionado e catalogado, formando um acervo,

Antes de quaisquer outras informações, a pesquisa nesse acervo permite um contato com uma plêiade de notáveis. Pela escola passaram artistas como Lygia Clark, Lygia Pape, Cildo Meireles, entre muitos. Percebe-se, perscrutando bilhetes, currículos e propostas de curso, que a história da arte no Brasil teve, na EAV, um dos mais importantes núcleos de formação, junto a outros como o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e a Escola Brasil, em São Paulo.

Uma questão sobrevém: como se formava (e se forma) um artista? A pergunta é logo desfeita, tendo em vista que a EAV prima por ser um espaço de resistência, ensinando sem parecer ensinar, quebrando a lógica de ementas, planos de aula, diários de classe.

Como escola de emergência, a EAV promovia, desde sua inauguração em 1975, palestras e reuniões para abordar etnicidade, poesia, arte contemporânea, vídeo, cultura popular. Pelas dependências do palacete que havia pertencido à família Lage passaram teóricos e pensadores como Mário Pedrosa, Lina Bo Bardi, Roberto DaMatta, Lélia Coelho Frota, ainda em início de carreira. Ao mesmo tempo, protagonizou exposições que se tornariam emblemáticas, como o evento “Como vai você, Geração 80?”, coordenado por um de seus diretores, o curador Marcus Lontra, de 1983 a 1987.

O Parque Lage se tornaria sinônimo de vitalidade e experimentalidade graças à sua escola. Com prestígio inestimável para a cena local, conseguiu atrair públicos de todas as gerações, produzindo e consumindo cultura. Os arquivos registram a presença constante de crianças realizando oficinas, vendo as exposições, ou passeando.

A EAV sempre atuou no calor da hora, como se vê na diversidade das propostas de trabalho: maquetes para cenários, dança, vídeo, antropologia, pintura, 2D, 3D, pluridimensionalidade e corpo aparecem como palavras soltas, conceitos, ambições e ironias de vanguarda. Porém, ao longo desses 40 anos, manteve uma parcela de idiossincrasia, sem se render a modismos, indicadores de lucro, competência e meritocracia.

Com a possibilidade de consultar mais de cinco mil documentos que não haviam ainda sido objeto de sistematização, percebe-se a relevância deste acervo para artistas, historiadores, pesquisadores e profissionais voltados para a educação e a cultura, de forma geral. Esta iniciativa começou em 2008 na gestão de Luiza Interlenghi, coordenada por Tânia Queiroz e Isabela Pucu, e foi implementada entre 2008 e 2014 pela diretora Cláudia Saldanha. Até então o contato com a memória da EAV se encontrava em armários, gavetas e caixas de arquivo. Na época, o Instituto de Artes da UERJ, a partir da disciplina de Laboratório de História, Teoria e Crítica de Arte, sob minha coordenação, firmou um convênio com o projeto Memória Lage, agregando uma equipe de estudantes de história da arte. No decorrer da pesquisa, foi possível ter acesso a ideias que nem sempre se concretizaram, como a Bienal do Rio, iniciativa do crítico e curador Frederico Morais, diretor da EAV entre 1987 e 1988. Também se pode pesquisar a ligação de Glauber Rocha e Lina Bo Bardi com a escola antes de sua inauguração.

A partir de 2012, quando a historiadora Sandra Caleffi inscreve o projeto Memória Lage no edital da Petrobras Cultural, uma equipe especializada passa a efetuar a pesquisa e responsabiliza-se pelas tarefas de acondicionamento, inventário, catalogação e digitalização dos documentos. Ficou determinado que o material seria classificado por períodos de gestões, e que cada gestão, por sua vez, seria dividida em ensino, exposições e eventos. Assim, o termo “acervo” pode finalmente ser usado com propriedade.

Ao longo desse processo, uma equipe, constituída de Angélica Pimenta, Juliana Rego, Thábata Castro, Pamela de Oliveira, Sâmia Jraige, Tamara Tofani, discutiu assuntos diversos, tais como: ficha catalográfica, quantidade de exemplares de cada documento, acondicionamento específico para fotografias, papéis, objetos etc. Ao mesmo tempo, uma equipe de digitalização (Ricardo Carvalheira, Felipe Sander, Bia Carvalheira, Miguel Sá) garantiu os mecanismos e ferramentas de pesquisa.

Graças a essa enorme empreitada, poder-se-á seguir por trilhas luminosas índices fundamentais que permitirão aprofundar inúmeras pesquisas futuras. Já se pode prever o que se está por fazer. Com a direção de Lisette Lagnado, desde 2014 à frente da Escola de Artes Visuais, o Memória Lage afirma-se como uma plataforma imprescindível que vai além de um banco de dados online. Trata-se de pensar a escola como um lugar entregue a estudantes, professores e frequentadores do Parque, um lugar para a redistribuição das riquezas simbólicas, um potlatch, uma oferenda, sem guiar-se única e exclusivamente pelas trocas capitalistas, lição que se depreende na teoria da dádiva de Marcel Mauss.

Marcelo Campos é professor-adjunto do Departamento de Teoria e História da Arte do Instituto de Artes da UERJ. Doutor em artes pela EBA/UFRJ, leciona na Escola de Artes Visuais do Parque Lage desde 2009.

 

 

Memória-Matéria-História

Sandra Caleffi* 

Se a história desaloja o sagrado e torna tudo banal, como descreve o historiador francês Pierre Nora, a aproximação dos historiadores da cultura aos lugares de memória que pretendem estudar postula uma operação crítica meticulosa que permite construir com fragmentos uma (e apenas uma) das leituras possíveis da totalidade do processo histórico; um processo selecionado e revestido de significados peculiares para, dessa forma, desvendar os códigos dos rituais que os monumentalizam e, por fim, historicizá-los. Todo fato é fato interpretado. A expressão forjada por Nora – lugares de memória – anuncia, portanto, o tempo em que vivemos; o tempo em que as nações e os grupos vivenciam uma profunda alteração na relação estabelecida com o seu passado.

Nora defende que uma das questões mais prementes da cultura contemporânea se encontra no entrecruzamento entre o respeito ao passado – real ou imaginário – e o sentimento de pertencimento a um determinado grupo; entre a consciência coletiva e a preocupação com a individualidade; entre a memória e a identidade. A noção de lugares de memória pode interessar sempre e quando tivermos o cuidado de observar a que coletividade se referem e de responder a algumas perguntas básicas: são lugares de que memória ou de que memórias? São lugares de memória de quem e para a construção de quais identidades ou projetos?

No mundo moderno, ainda segundo Nora, a memória não é mais vivenciada espontaneamente e sim mantida em alguns lugares – entendidos como materiais ou simbólicos, do concreto ao mais abstrato, do simbólico ao funcional – e organizada por alguns membros da sociedade em locais investidos de alguns rituais. Diz o autor:

Mesmo um lugar de aparência puramente material, como um depósito de arquivos, só é lugar de memória se a imaginação o investe de aura simbólica. Mesmo um lugar puramente funcional, como um manual de aula, um testamento, uma associação de antigos combatentes, só entra na categoria se for objeto de um ritual. (NORA, 1993, p. 21-22)

A história de Henrique Lage e sua esposa, a cantora lírica Gabriela Besanzoni, mostra que tratamos sim de um lugar de memória. Na história do Parque Lage, o real e o imaginário, o fantástico, o transgressor, a pompa e circunstância se misturam à história que se quer preservar. O palacete dos Lages, como era conhecido, foi projetado de modo a acolher a intensa vida social de Henrique Lage e Gabriela Besanzoni, registrada amplamente nas crônicas da época. Destacavam-se os recitais da cantora que aconteciam no salão nobre da casa, espaço planejado especialmente para essa finalidade, ou ainda as histórias sobre seus ensaios na gruta do jardim e seus vocalizes no banheiro, um magnífico espaço forrado com mármore rosa importado da Itália, que abriga não apenas uma imensa banheira esculpida em um único bloco de granito do maciço da Tijuca como também documentos, cartas, fotografias, cartazes e protótipos de obras de arte que se transformariam no projeto “Memória Lage, a formação de um acervo”.

Na segunda metade da década de 1960, funcionava no Parque Lage o Instituto de Belas Artes – IBA, órgão que passaria a integrar a Universidade do Estado da Guanabara responsável pelo primeiro vestibular para o curso superior em história da arte. Entretanto, ao assumir a direção do instituto, em 1975, o artista plástico Rubens Gerchman traz uma grande bagagem, a partir dos seus estudos em Nova York, com novidades que abalariam os alicerces da instituição. O IBA apresentava um ensino arcaico, com senhoras diletantes e suas pinturas acadêmicas por um lado e, por outro, artistas como Iberê Camargo, que se tornaria um dos grandes nomes da arte moderna brasileira. O instituto vivia, como em outras tantas instituições artísticas brasileiras, um tempo descompassado, desatualizado e descapitalizado.

E é em 1975 que a história do projeto Memória Lage começa, com a nomeação do artista Rubens Gerchman para gerir o IBA.

E como vai essa história que se quer contar? A quantas anda a história que se pretende preservar? Como conhecer a memória histórica dessa instituição tão importante para a história, para a história da arte e da cultura de um país? Dessa forma, é a memória material que nos interessa aqui. A memória acumulada em papéis, correspondências, fotos, cartazes, protótipos de obras de arte, gravações em vídeo e áudio compõem o acervo da Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Esse é o importante legado que se quer preservar com o projeto “Memória Lage – a formação de um acervo”.

Ao longo deste trabalho, pudemos distinguir duas maneiras essencialmente diferentes de conhecer algo. A primeira depende do ponto de vista em que nos colocamos e dos símbolos pelos quais nos expressamos: implica rodear esse “algo”. A segunda implica que nela entremos: não se prende a nenhum ponto de vista e não se apoia em nenhum símbolo. Acerca da primeira maneira de conhecer, diremos que se detém no relativo; quanto à segunda, onde é possível, diremos que atinge o absoluto. Uma descrição acerca de algo, uma história sobre alguém, uma análise a respeito de alguma coisa proporciona o relativo. Somente a coincidência com a própria pessoa ou fato nos daria o absoluto. Nesse sentido, e somente nesse, absoluto é sinônimo de perfeição.

Todas as fotografias de uma cidade, tomadas de todos os pontos de vista possíveis, poderão se completar indefinidamente umas às outras, porém não equivalem nunca a este relevo que é a cidade por onde caminhamos. Do mesmo modo, ocorre com todas as traduções de um poema ou todas as interpretações sobre uma obra de arte ou, ainda, sobre a história da EAV. Em resumo: o absoluto só é possível numa intuição, enquanto todo o restante consiste em objeto de análise. Intuição significa, desde logo,

a simpatia pelo qual nos transportamos para o interior de um objeto para coincidir com o que ele tem de único e, consequentemente, de inexprimível. Ao contrário, a análise é a operação que reduz o objeto a elementos já conhecidos, isto é, comum a este objeto e a outros. (BERGSON, Henri. 1979, pp. 14-15)

 Analisar consiste, pois, em exprimir algo em função daquilo que esse algo não significa. Toda análise funciona como tradução, desenvolvimento em símbolos; em última instância, representação a partir dos pontos de vista sucessivos em que notamos outros tantos contatos entre o objeto novo – que está sendo estudado – e outros que cremos já conhecer.

Em seu desejo eternamente insatisfeito de abarcar o objeto em torno do qual ela está condenada a dar voltas, a análise multiplica sem fim os pontos de vista para completar a representação sempre incompleta, varia sem cessar os símbolos para perfazer a tradução sempre imperfeita. Ela se desenvolve, pois, ao infinito. (BERGSON, Henri. 1979, p. 15)

 Ao final deste prazeroso trabalho ao lado de pessoas comprometidas com a preservação da cultura do seu país – Marcelo Campos, Angélica Pimenta, Juliana Rego, Pamela de Oliveira, Sâmia Jraige, Tamara Tofani, Thábata Castro – constatamos que quanto mais avançamos mais sentimos necessidade de inquirir. Maior é o desejo de questionar. Nosso muito obrigado a elas.

Além disso, há qualquer coisa que suscita determinado caráter de inacabado, um pensamento ainda em construção, um desenvolvimento que se desdobra ao infinito, parafraseando Bergson. Questionamentos não cessam de surgir e exigem esforços inteiramente novos. Existem, portanto, perguntas a serem respondidas num futuro próximo, resultantes, sem dúvida alguma, de outras aqui levantadas. Nesse sentido, a apresentação deste trabalho age antes como inventário de questões produzidas do que a finalização de hipóteses defendidas.

Reiteramos que não abrimos não, nem por um momento, da tarefa de construção da história e preservação da memória. Entretanto, a forma pela qual esta tarefa aqui se revela aponta peculiaridades. Ao refletirmos acerca das palavras de Iberê Camargo – o conhecimento é uma questão de sensibilidade – constatamos que o pensamento que busca filiar-se a uma espécie de poesia não se adapta jamais à forma; assemelha-se, antes, ao esforço da forja, como antes descrevera João Cabral de Mello Neto. Mesmo assim, os resultados são fecundos: fazem com que vislumbremos o ainda longo caminho a trilhar. Em outras palavras, a necessidade e a importância de o projeto Memória Lage transformar-se em um Programa da Escola de Artes Visuais do Parque Lage e assim implantar-se, definitivamente, um Centro de Documentação e Pesquisa, crença exortada por Rubens Gerchman em 1975. Voltemos ao início, giremos sobre nossos próprios calcanhares.

Sandra Caleffi é historiadora (UERJ), possui mestrado em História da Arte (PUC-RJ) e MBA em Produção e Gestão Cultural (FGV-RJ)

 

 

Projeto Memória Lage: A Formação de um Acervo

patrocínio
Petrobras

idealização
Cláudia Saldanha
Tânia Queiroz
Sandra Caleffi

concepção, elaboração e produção
Sandra Caleffi

coordenação geral
Marcelo Campos

coordenação executiva
Sandra Caleffi

coordenação de museologia
Angélica Pimenta

pesquisa e curadoria de conteúdo
Juliana Rego
Thábata Castro

museologia
Pamela de Oliveira Pereira
Samia Jraige
Tamara Dias Tofani

digitalização e disponibilização
IAI Digital

webdesign
TUUT

revisão
Rosalina Gouvêa

tradução
Rebecca Atkinson

roteiro e realização das entrevistas
Juliana Rego
Marcelo Campos
Thábata Castro

entrevistados
Giodana Holanda
Guianguido Bonfanti
Helio Eichbauer
Luiz Áquila
Luiz Ernesto
Malu Fatorelli
Marcus Lontra
Mario Margutti
Roberto Magalhães
Tânia Queiroz
Tina Velho
Xico Chaves

 

Parceria com o núcleo de arte e tecnologia – NAT

coordenação
Tina Velho

captação de imagem
Emanuel de Jesus
Pauan Soares
Tadeo Saldanha

edição
Emanuel de Jesus
Julia Vilhena
Pauan Soares

sonorização
Henrique Ligeiro
Guilherme Algarve

 

Parceria com o Laboratório de História, Teoria e Crítica de Arte/ Instituto de Artes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro -UERJ

coordenação da Escola de Artes Visuais
Marcelo Campos

assistente de pesquisa
Beatriz Domingos

assistente de edição de vídeos
Isabelle Valente

 

 

Agradecimentos

Agradecemos à primeira iniciativa do Projeto Memória Lage realizada no período de 2008 a 2011 e, de forma especial, a todos os envolvidos nesta primeira ação: Ana Carolina Santos, Caroline Alves, Cláudia Saldanha, Edineia Bezerra Zanella, Erica Tulip, Frederico Morais, Izabela Pucu, Jovita Santos, Leandro Fazolla, Luiza Interlenghi, Roberta Aleixo, Tadeo Saldanha, Tânia Queiroz e Yasmin Prado.

Gostaríamos de agradecer ainda a todos os colaboradores e parceiros do Projeto Memória Lage – A Formação de Um Acervo, pessoas fundamentais para a realização deste segundo momento. Em especial, a equipe da biblioteca da EAV que nos cedeu um pouco do seu já limitado espaço e ajudou durante todo o processo. São elas: Agatha Mariana Pinheiro Santos, Danyelle Sant’Anna, Maria Fernanda Nogueira, Olga Alencar e Rubia Luiza da Silva.

Agradecemos a equipe da Petrobras pelo grande carinho e seriedade neste caminhar: Regina Studart e Ricardo Motta.

E, por fim: Bia Amaral, Carli Portella, Clara Gerchman, Daniel Senise, Daniele Chaves Amado (CPDOC-FGV), Hélio Eichbauer, João Carlos Goldberg, Luiz Ernesto, Mário Grisolli, Maria Luiza Caleffi dos Santos, Martina Spohr Gonçalves (CPDOC-FGV), Nelson Augusto, Pedro Henrique Santos Dias (MIS-RJ), Raquel Silva, Roberto Tavares, Rogério Emerson, Rubens Santos e Xico Chaves.