O CORPO NA ARTE: ARTISTAS, LINGUAGENS E ESPECTADOR
- 03 de julho até 31 de julho
- Sexta-feira
- 13h às 17h
- Presencial
- Férias
Apresentação
O curso propõe uma abordagem ampliada da questão do corpo na arte contemporânea, compreendendo-o não apenas como presença física do artista, mas como elemento constitutivo das linguagens, dos dispositivos e da experiência do espectador.
Ao longo dos encontros, serão discutidas práticas artísticas que tensionam as relações entre corpo, imagem, matéria e espaço, considerando diferentes suportes e modos de apresentação, da pintura à performance, da instalação ao vídeo. A proposta busca introduzir os participantes a uma perspectiva multissuporte, na qual o corpo pode ser entendido tanto como agente quanto como campo de inscrição simbólica e sensorial.
O curso propõe refletir sobre as transformações das linguagens artísticas na contemporaneidade, investigando diferentes modos de ativação do corpo na arte e suas relações com experiência, mediação, presença e participação.
Programa
O curso se estrutura a partir da investigação da pluralidade de linguagens na arte contemporânea, com foco na ampliação do campo expandido das práticas artísticas e na centralidade do corpo como operador crítico entre artista, obra e espectador. Parte-se da compreensão de que, ao longo do século XX, ocorre uma ruptura com a especificidade dos meios, característica do paradigma moderno, abrindo caminho para práticas multissuporte nas quais pintura, escultura, performance, instalação, fotografia e vídeo passam a se articular de forma híbrida.
Nesse contexto, o corpo será discutido tanto como gesto e presença quanto como dispositivo de inscrição simbólica, política e sensorial. Serão abordadas questões como o corpo na pintura de ação, evidenciado em Jackson Pollock, onde o gesto se torna constitutivo da obra; o corpo como ação e experiência nas práticas de Joseph Beuys e Chris Burden; e o corpo como presença e resistência em trabalhos de Marina Abramović e Regina José Galindo.
Paralelamente, serão analisadas proposições que deslocam o corpo para o campo da experiência relacional e participativa, como nas práticas de Hélio Oiticica e Lygia Clark, bem como investigações que tensionam a materialidade e os sistemas simbólicos na obra de Tunga e Cildo Meireles.
Em diálogo com essas abordagens, o curso também apresentará trabalhos contemporâneos que discutem questões de gênero, raça e colonialidade, a partir das produções de Jota Mombaça, Grada Kilomba, Juliana Notari, Muza Michelle Mattiuzzi e Santiago Sierra.
A partir desse conjunto de referências, o curso busca evidenciar diferentes modos de ativação do corpo na arte, compreendendo-o como ação, experiência, dispositivo relacional e campo de disputa simbólica. Paralelamente, serão discutidos os processos artísticos e as possíveis formas de apresentação expositiva, considerando a obra não como objeto isolado, mas como parte de um sistema que envolve espaço, mediação e espectador.
Professores
-
Dinâmica
As aulas presenciais terão início com a apresentação e análise de trabalhos artísticos que suscitam questões pertinentes ao debate sobre o corpo na contemporaneidade, seguidas de discussões coletivas orientadas pelas questões levantadas.
Em um segundo momento, os participantes serão incentivados a compartilhar seus próprios processos de trabalho. Esses materiais serão discutidos coletivamente, com foco na elaboração de suas dimensões poéticas, nas possíveis formas de apresentação pública e na relação entre obra, corpo e espectador.
-
Público Alvo e pré requisitos
Indicado para pessoas interessadas em conhecer e/ou pesquisar o tema do corpo na arte contemporânea, bem como para artistas e estudantes que desejam desenvolver ou aprofundar seus processos criativos.
Refefências
DANTO, Arthur. Após o fim da arte: a arte contemporânea e os limites da história. São Paulo: Odysseus, 2006.
FOSTER, Hal. O retorno do real: a vanguarda no final do século XX. São Paulo: Cosac Naify, 2014.
FERREIRA, Glória; COTRIM, Cecília (orgs.). Escritos de artistas: anos 60/70. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006.
FERREIRA, Glória. Temáticas contemporâneas. Rio de Janeiro: Funarte, 2006.
KILOMBA, Grada. Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano. Rio de Janeiro: Cobogó, 2019.
KRAUSS, Rosalind. A originalidade da vanguarda e outros mitos modernos. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
KWON, Miwon. One Place After Another: Site-Specific Art and Locational Identity. Cambridge: MIT Press, 2002.
MACHADO, Arlindo. Made in Brazil: três décadas do vídeo brasileiro. São Paulo: Iluminuras, 2007.
MBEMBE, Achille. Necropolítica. São Paulo: N-1 Edições, 2018. (ou versão publicada na revista Arte & Ensaios)
PRECIADO, Paul B. Manifesto contrassexual. São Paulo: N-1 Edições, 2014.
RANCIÈRE, Jacques. A partilha do sensível: estética e política. São Paulo: Editora 34, 2009.
SMITHSON, Robert. Um passeio pelos monumentos de Passaic, Nova Jersey. 1967.
BRITO, Ronaldo. Neoconcretismo: vértice e ruptura do projeto construtivo brasileiro. Rio de Janeiro: Funarte, 1999.
INHOTIM. Catálogos institucionais (acervo de Tunga e Cildo Meireles). Brumadinho: Instituto Inhotim.
REVISTA ARTE & ENSAIOS. Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais, Universidade Federal do Rio de Janeiro.
REVISTA CONCINNITAS. Programa de Pós-Graduação em Artes, Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Cursos voltados às diferentes PRÁTICAS ARTÍSTICAS, que estimulam a experimentação de meios, materiais, com ênfase nos processos de investigação e produção de trabalhos e no acompanhamento continuado dessa produção.






